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Título: Aos Ventos que Virão
Direção: Hermano Penna
Metragem: Longa
Tipo: Ficção
Projeto
Sinopse:
Um homem cambaleia na caatinga agreste. Ele é o cangaceiro Seriema. É José Olímpio de Brito. É Zé Olímpio. A batalha com a volante foi terrível. Ele está desgarrado de seu bando e muito ferido. Perde as últimas forças, rola no chão e ai fica. É salvo da morte certa por um bando de mulheres que passa ao acaso, em uma espécie de procissão. O cortejo segue, agora com o semi morto, e desaparece na galharia da caatinga.
Sobre a imagem de uma pequena cidade do sertão sergipano, um letreiro indica o ano e o tempo que passou: 1958- 20 ANOS DEPOIS.
No palanque Zé Olimpio presta contas à sua gente. Ele é candidato a prefeito na sua cidade, Raso Grande. O dia da eleição está próximo e nem tudo corre bem. Os títulos eleitorais dos partidários de Zé não são deferidos pelo juiz, em Aracajú. O partido de Zé é oposição ao governo estadual.
O tempo passa e nada dos títulos. Todas as tentativas legais de consegui-los fracassam. Zé e amigos sentem a eleição certa escapar-lhes das mãos. Nos dias imediatos à eleição, Zé vê crescer na alma a revolta e o desejo de responder à injustiça de que são vítimas, ele e sua gente.
O cangaço e suas formas de ação, a força das armas, explodem na sua mente como a única maneira de responder aos fatos. Fala de sua vontade aos amigos. Alguns reagem. Tentam mostrar-lhe que a violência não resolverá nada. Que o cangaço morreu com Lampião. Aliás, o cangaço só lhe trouxe sofrimento e humilhação. São dias de dúvidas, angústia, lembranças. Zé decide, contrário aos amigos, e põe o seu plano em ação. No dia da eleição, a frente de dezenas de cavaleiros, invade Raso Grande, rouba e queima as urnas eleitorais.
A repressão não tarda e é violenta. A ferocidade da polícia do estado é exercida sem freios.
Zé Olimpio foge e se esconde na Serra Negra, lendária serra que divide os estados de Sergipe e Bahia. O local exato do seu esconderijo só é conhecido pelo fiel amigo Nêgo de Rosa. Zé traz para a Serra sua jovem amante, Dalvina. Na serra vivem a constante tensão de procurados, até o dia em que são localizados e Zé é levado preso.
Em Aracajú, encontra no presídio alguns dos amigos de Raso Grande. Com eles, espera o processo judicial. E com eles acompanha, em vivas conversas, o momento do país: a era JK. Acompanha nas revistas e num rádio Espeeker, pequeno rádio portátil, a euforia daquele momento tão importante da história brasileira. A rápida aceleração indústrial. O início da indústria automobilística. A construção de Brasília. Zé se interessa e conversa muito sobre Brasília. Passa horas vendo as fotos da construção da cidade nas revistas ilustradas.
O processo político de conciliação nacional empreendido pelo Presidente Juscelino acaba por chegar em Sergipe, e Zé Olimpio e companheiros são libertados.
Zé volta para a pequena vila de Serra Negra. A inauguração de Brasília está próxima. E Zé aproveita o dia da grande festa no Planalto Central para também comemorar sua volta à liberdade. Duas festas e um só momento cinematográfico. Na distante Serra Negra, nos fins dos sertões sergipanos, alguém escuta no rádio e participa da alegria da grande festa do Planalto Central
Os dias deveriam voltar à rotina. Mas, enquanto nacionalmente o governo federal tenta levar a paz política a todo país, localmente as escaramuças persistem. A perseguição aos correligionários de Zé é constante e muitas vezes marcada pela violência. Nesse contexto chega de Raso Grande a notícia de que tinha sido assassinado Nêgo de Rosa, o grande amigo. A revolta em Serra Negra é geral. Todos pedem vingança. Cobram de Zé Olímpio uma resposta de sangue. A compreensão de Zé, agora, é outra. Para ele vingança é sangue cobrando sangue. E comunica a todos que irá para Brasília. Lá, iria denunciar no Congresso Nacional os crimes, atrocidades e as perseguições praticados pelos inimigos. Em Aracajú Zé toma o avião. Em Salvador, escala técnica, no aeroporto é preso e conduzido até um carro que parte veloz. Alguns dias depois seu corpo, crivado de balas, é encontrado próximo à vila de Serra Negra.
Imagens de Brasília, Praça dos Três poderes, Congresso, Esplanada, encobertas pela névoa seca, sugerem uma cidade distante, ainda inatingível. Sobre as últimas imagens o letreiro: AOS VENTOS QUE VIRÃO.

Valor das Cotas Emitidas: R$ 1.775.645,00

Valor das Cotas à Captar: R$ 1.757.645,00


















































 




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